- Capítulo 1 O Horizonte Chama
- Capítulo 2 Dia do Embarque
- Capítulo 3 O Buffet da Meia-Noite
- Capítulo 4 Encontros a Estibordo
- Capítulo 5 Convéses Escondidos
- Capítulo 6 Perdido em Lisbon
- Capítulo 7 Gotas de Chuva em Rome
- Capítulo 8 Emaranhado em Tangier
- Capítulo 9 Serenata no Salão do Sol
- Capítulo 10 Sussurros Abaixo do Convés
- Capítulo 11 Anoitecer em Naples
- Capítulo 12 Sob as Luzes do Norte
- Capítulo 13 Correntes e Confissões
- Capítulo 14 Dançando na Proa
- Capítulo 15 Desamarrado
- Capítulo 16 A Tempestade se Aproxima
- Capítulo 17 Segredos a Bordo
- Capítulo 18 Cartas Escondidas
- Capítulo 19 O Baile de Máscaras
- Capítulo 20 Partidas e Retornos
- Capítulo 21 Nascer do Sol sobre Sydney
- Capítulo 22 Rumo a Casa
- Capítulo 23 Corações Atracados
- Capítulo 24 Despedidas e Promessas
- Capítulo 25 Quando o Mar Lembra
- Capítulo 26 O Último Porto
Jovem Amor no Mar
Sumário
CAPÍTULO UM - O Horizonte Chama
A alvorada rompeu com um brilho rosa suave que amaciou as linhas do horizonte distante. Mesmo antes de o sol estender completamente seus raios sobre o porto, o grande navio de cruzeiro já estava desperto, zumbindo com a antecipação de centenas de passageiros ansiosos para partir. Entre eles, Olivia Jensen espreitava pela janela de sua cabine, o coração batendo forte enquanto o navio se erguia como uma cidade flutuante sobre a água. Ela havia lido histórias sobre romances no mar, mas embarcar naquele navio com seus pais parecia surreal, um salto rumo a uma aventura que ela mal conseguia imaginar.
Aos dezessete anos, o mundo de Olivia parecia estreitamente definido — escola, casa, uma embaralhada infinita entre expectativas e obrigações. Aquele cruzeiro, circundando o globo em rotas traçadas por exploradores antes dela, era o sonho de seu pai, o desejo de sua mãe por "uma última aventura em família". Olivia concordara por amor, com uma pitada de curiosidade relutante. No entanto, ao ver a passarela se estender, o navio brilhando branco e orgulhoso acima dela, sentiu um puxão, uma atração irresistível em direção ao desconhecido.
O terminal zumbia. Vozes — muitas estrangeiras — misturavam-se ao baixo trovão de malas rodando. Olivia apertava seu diário azul-mar, o que a avó lhe dera, os dedos traçando o couro macio e granulado. Em meio aos grupos de recém-chegados, ouviu uma risada — de um garoto, calorosa e contagiante. Olhou para cima, examinando a multidão, mas viu apenas um borrão de rostos. Um arrepio de excitação — seria do ar do oceano ou de outra coisa? — formigou em sua pele.
— Olivia, é o nosso carregador? — A voz de sua mãe quebrou seu devaneio. — Cabine 524, certo? — confirmou, sorrindo ansiosamente para o homem corpulento esperando ao lado de um carrinho com malas combinando.
— Sim, mãe. Somos nós. — Olivia empurrou sua mala até o homem, e suas etiquetas — Jensen, Convés C — logo encontraram seu lugar em um carrinho logo envolto por outros.
O processo de embarque foi metódico e lento, mas Olivia mal notou. Atrás dela, seus pais conversavam sobre simulados de emergência e o assento no jantar desta noite, mas a mente de Olivia vagava novamente para a risada do garoto. Em algum lugar naquela embarcação mamute de possibilidades, ele também devia estar embarcando. Estaria com a família, amigos, ou nenhum dos dois?
No posto de segurança, o coração de Olivia batia forte. Tentou imaginar quem poderia se tornar nos dias seguintes. Vestia sua jaqueta jeans favorita, de punhos desbotados, sobre o vestido de verão que escolhera após agonizar por uma hora. Alguém a notaria — seria apenas mais uma turista, ou algo completamente diferente?
Por dentro, o navio era mais magnífico do que ela jamais imaginara. Um átrio imenso, a luz do sol jorrando através de cúpulas de cristal, uma escadaria que se curvava como o arco de um violino. Jazz ao vivo flutuava de um salão distante, sublinhando o caos acolhedor. Tripulantes em uniformes impecáveis guiavam os hóspedes com calor ensaiado, e a família de Olivia juntou-se ao fluxo em direção aos elevadores.
— Vamos ver o quarto primeiro, Liv. — A mão do pai apertou seu ombro. — Nos situamos, depois subimos aos conveses superiores.
No Convés C, o corredor estendia-se longo e acarpetado, o ar pesado com perfume de sal e maquinaria distante. A cabine era compacta, toalhas recém-passadas espalhadas nas camas de solteiro. Olivia saltitou levemente no colchão junto ao vigia, espiando lá fora para um mundo à beira do movimento.
Da porta aberta, viu uma família passar — uma mãe, um menino novo, e atrás deles, um adolescente alto com cabelos castanho-claros e uma capa de violão surrada às costas. Ele olhou para dentro da cabine deles, olhos de um azul-esverdeado impossível, e flagrou Olivia observando. Por um segundo, o navio pareceu parar. Ele sorriu, rápido e cúmplice, e as bochechas de Olivia ruborizaram. Então ele se foi, sua risada ecoando pelo corredor, repetindo a que ela ouvira antes.
Uma emoção percorreu Olivia, pura e sem filtros. Ali estava sua resposta — o garoto, quem quer que fosse, compartilharia aquela viagem com ela. Em algum lugar, lá fora nos conveses ou no salão ou à meia-noite sob as estrelas, seus caminhos se cruzariam novamente.
Sua família desfez as malas, enchendo gavetas com roupas de banho e vestidos de jantar. Olivia reivindicou a pequena varanda como seu refúgio particular, deixando o ar salgado bagunçar seus cabelos. Em baixo, a tripulação soltava as amarras; acima, gaivotas planar. Cada parte dela formigava, viva com a novidade.
A buzina soou — grave, ressonante, o grande anúncio do navio. As pessoas correram para as grades, acenando para figuras que diminuíam no cais. Sinos tocaram, bandeiras tremularam. A família de Olivia aglomerou-se no parapeito, braços ao redor uns dos outros enquanto viam a costa se afastar.
— Sorria, Liv! — o pai incentivou, câmera pronta, mas o olhar de Olivia teimava em roubar para os conveses abaixo, procurando cabelos castanhos, olhos azuis, um violão na mão. O garoto estava lá, encostado na grade com a família, olhos fixos na costa que sumia. Ela imaginava o que ele deixava para trás — o que o aguardava além do horizonte.
A excitação da partida era uma coisa viva — crianças gritando, amantes de mãos dadas, um casal idoso dividindo uma garrafa de chocolate quente. A mãe de Olivia suspirou, lágrimas brotando à vista de sua pequena cidade encolhendo na distância. Olivia piscou forte, sentindo um turbilhão de emoções — tristeza pelo que deixava, esperança pelo que poderia encontrar.
Logo a cidade era apenas uma memória, perdida entre o primeiro balanço suave de sobe e desce da água aberta. O navio assentou em seu ritmo, motores vibrando suavemente sob pés descalços. Depois de desfazer as malas, os Jensen exploraram. Promenades de mármore, bibliotecas cheias de histórias náuticas, conveses de observação envidraçados contra o vento. Olivia seguia atrás, perdida no labirinto do navio, olhos sempre procurando.
No almoço, sentaram-se no terraço ao ar livre, o sol quente em seus rostos enquanto o garçom trazia limonadas suando no calor. Uma agitação chamou a atenção de Olivia — a uma mesa distante, o garoto e sua família sentavam, discutindo alegremente sobre um prato de batatas fritas. Ele batia um ritmo preguiçoso na mesa com as pontas dos dedos, sorrindo facilmente para o irmão menor. Quando seus olhos se encontraram de novo, ele ergueu a sobrancelha em saudação amigável. Olivia conseguiu um aceno tímido.
Seus pais, alheios, discutiam as excursões em terra — Roma, Tânger, Sydney. A mente de Olivia girava futuros distantes, e em todos eles o garoto desempenhava o papel principal.
A tarde passou como um sonho. Passeios de orientação, simulado de bote salva-vidas, pegando folhetos brilhantes para sociais de sorvete e bailes temáticos. Olivia perdeu-se na enxurrada de possibilidades. Vagueou até a biblioteca, passando os dedos por livros sobre naufrágios e longas viagens, sonhando-se heroína de contos varridos pelo vento.
Rabiscou em seu diário — um registro, esperava, de cada momento mágico por vir. O horizonte era uma fina promessa azul fora de sua janela, a beira de tudo.
O primeiro turno do jantar foi um evento de gala. Olivia vestiu-se devagar, escolhendo um vestido azul que a mãe aprovava, mas que ela só usara em casa, nunca para ser vista por estranhos. A sala de jantar brilhava com cristal e prata, a equipe movendo-se com elegância segura. Em sua mesa designada, Olivia viu-se ao lado de cadeiras vazias, reservadas para outra família.
Nervos batiam em seu estômago. Seria a família do garoto? O universo realmente funcionava assim, ou era esperança demais?
Após uma longa espera nervosa, a pergunta de Olivia foi respondida. A família que preencheu as cadeiras ao seu lado era um casal mais velho e a neta, não o garoto do corredor. A decepção piscou, depois se desfez sob a avalanche de apresentações, histórias trocadas sobre massa e pão fresco. Todos eram gentis; a garota ao seu lado, Anais, contou histórias de equitação na Argentina. Mas a mente de Olivia divagava.
Depois do jantar, reuniu coragem, escapulindo dos pais para explorar os conveses sozinha. O navio brilhava sob a lua — luzes da piscina cintilando, jazz suave escapando de bares abertos. Vagueando, subiu ao Convés do Passeio, o ar noturno do mar vivo contra sua pele.
Ali, encostado na grade como se a esperasse o tempo todo, estava o garoto. Parecia diferente na prata suave da lua — menos seguro, mais pensativo. A capa do violão repousava a seus pés.
Sorriu ao vê-la. — Ei. Você é a garota do Convés C, certo?
Ela assentiu, enfiando uma mecha rebelde atrás da orelha. — Sou eu. Você toca violão?
Ele deu de ombros, como se não fosse grande coisa. — Às vezes. Ou pelo menos, eu tento. Acho que vamos ouvir os ensaios um do outro através das paredes.
Olivia riu — um som nervoso e tonto. — Espero que sim. Gosto de música.
— Sou Theo — disse ele, estendendo a mão.
— Olivia.
Apertaram as mãos, e pareceu um acordo. Conversaram sobre coisas pequenas no começo — a vista, a comida, de onde vinham. Theo era de Manchester, na Inglaterra, viajando com a mãe, o padrasto e o irmão menor, Jamie. Tinham economizado anos para dar a volta ao mundo. A história de Olivia era mais complicada, mas ela se viu contando mesmo assim — a escola da cidade pequena, o conselho da avó, como aquela viagem era para unir sua família.
A conversa fluía fácil enquanto as estrelas giravam acima, a lua traçando padrões prateados no rosto inquieto do mar. Lá em baixo, risadas subiam, mas eles estavam em seu próprio universo na grade. Olivia pensou em dizer algo ousado, em perguntar o que Theo esperava, mas em vez disso ouviu.
Ele falou das canções que queria escrever. — Achei que talvez, nesta viagem, eu finalmente terminasse uma — admitiu, dedos tamborilando na grade.
Ela falou de seu diário. — Quero escrever também. Não canções, apenas... histórias. Histórias da viagem. Das pessoas que conheço.
Theo sorriu. — Vai ter que escrever sobre mim, então. Me faz parecer legal, tá?
— Acho que você tá se virando sozinho — Olivia provocou, surpreendendo-se com a própria confiança.
Um sino badalou, anunciando o início de um show no convés mais adiante. Theo gesticulou para as luzes penduradas ao longo do promenade. — Quer assistir?
Vaguearam juntos, ombros quase se roçando, até onde uma multidão se reunira para dança e música sob lanternas pesadas de sal. O navio movia-se, lento e seguro, levando-os para longe de casa, lançando-os no desconhecido.
Aquela primeira noite estabeleceu o padrão — uma órbita, hesitantemente magnética. De volta à cabine, Olivia repetiu cada palavra do encontro, gravando-o na memória. Do outro lado do navio, em sua própria varanda, Theo dedilhava acordes no violão, murmurando uma melodia que ela inspirara.
Os dias à frente se abriam largos, cheios de portos e possibilidades. Mas enquanto as ondas seguiam adiante, Olivia sentiu a primeira mudança suave das marés — a sensação de que sua história estava mudando.
Lá fora, o oceano respirava, escuro e infinito, prometendo segredos aos bravos o suficiente para olhar.
CAPÍTULO DOIS: Dia do Embarque
O sol da manhã, mais brilhante agora que o brilho do amanhecer na partida, entrava pela vigia, salpicando as camas de solteiro. Olivia acordou com o balanço suave do navio, uma oscilação rítmica e gentil que parecia totalmente nova e surpreendentemente reconfortante. Os sons abafados do corredor lá fora — um alegre "Bom dia!" trocado entre passageiros, o zumbido baixo dos motores do navio, o tilintar distante de carrinhos — eram a trilha sonora de um dia apenas começando, um dia inteiramente no mar, o primeiro de muitos que se estendiam à sua frente. Era isso, o verdadeiro começo.
Ela ficou deitada por um momento, acostumando-se ao movimento desconhecido e à qualidade da luz. Seus pensamentos voltaram à noite anterior, ao luar prateado no Convés do Passeio, o ar salgado frio em suas bochechas, e Theo. Seu sorriso fácil, o impossível azul-esverdeado de seus olhos, o jeito casual com que se encostava na grade com a capa do violão por perto. A memória provocou um calor no estômago, uma empolgação silenciosa que se instalou fundo. Ele estava ali, em algum lugar naquela cidade flutuante, compartilhando o mesmo horizonte infinito.
Depois de um banho rápido no compacto banheiro da cabine, onde tudo era projetado para eficiência e economia, Olivia vestiu shorts confortáveis e uma camiseta, pronta para explorar. Seus pais já se mexiam, o pai conferindo o boletim diário do navio enfiado sob a porta, destacando atividades e horários de shows. A mãe guardava cuidadosamente os artigos de toilette, tornando seu lar temporário arrumado e organizado. — Bom dia, Liv! Dormiu bem? — o pai perguntou, erguendo o olhar com um sorriso. — Parece que teremos um dia cheio. Tem sessões de orientação, quizzes, até aula de malabares.
— Bom dia — respondeu Olivia, ainda meio perdida nos pensamentos da véspera. — Sim, o balanço do navio me embalou direto no sono. Ela evitou mencionar a conversa ao luar com Theo. Parecia algo pessoal demais, novo demais para compartilhar assim, mesmo com os pais. Essa viagem, percebeu, não era só sobre ver o mundo; era também sobre descobrir novas partes de si mesma, partes que não sabia que existiam até um garoto de cabelos castanho-claros e uma capa de violão sorrir para ela.
O café da manhã foi um alvoroço no salão principal. Sentaram-se em uma mesa diferente naquela manhã, menor, só para a família. O salão fervilhava com conversas, o tilintar de talheres e as saudações alegres da equipe. As pessoas claramente ainda estavam encontrando seus pés no mar, navegando a leve inclinação do chão e a vasta gama de opções do bufê de café da manhã. Olivia optou por panquecas e frutas frescas, observando os outros passageiros, perguntando-se se Theo e a família dele estavam entre eles, talvez a apenas algumas mesas de distância.
Ela vasculhou o salão discretamente, tentando avistar cabelos castanho-claros ou aqueles olhos marcantes. Viu famílias com crianças excitadas, casais mais velhos desfrutando refeições tranquilas, grupos de amigos rindo alto. Mas nenhum sinal de Theo, sua mãe, o padrasto ou o irmão mais novo que ele mencionara, Jamie. Talvez preferissem o bufê no Convés Lido, ou talvez fossem dorminhocos. O navio era enorme; encontrar alguém parecia procurar uma concha específica em uma praia infinita.
Depois do café, os pais quiseram assistir à sessão principal de orientação no teatro, uma necessidade para entender a disposição do navio, procedimentos de emergência e rotinas diárias. Olivia foi junto, embora a atenção frequentemente divagasse. A diretora de cruzeiro, uma mulher de voz retumbante e risada contagiante, deu as boas-vindas a todos a bordo, detalhando informações de segurança e apresentando as muitas atividades e comodidades disponíveis. Olivia soube que havia várias piscinas, um spa, um cassino no qual não poderia entrar, diversos bares e lounges, uma biblioteca e até uma parede de escalada. O navio era verdadeiramente um mundo por si só.
O simulado obrigatório de bote salva-vidas se seguiu, uma reunião ligeiramente caótica mas essencial onde todos vestiram volumosos coletes salva-vidas laranja e se reuniram em suas estações de encontro designadas. Estar ombro a ombro com estranhos, praticando os movimentos de prender o colete, trouxe à tona a realidade de estar no mar. Havia um senso compartilhado de propósito, um breve momento de seriedade coletiva em meio à atmosfera de férias. Olivia viu pessoas que reconhecia do salão, do check-in, dos conveses. Ainda nenhum sinal de Theo.
Após o simulado, com as formalidades concluídas, a atmosfera do navio mudou perceptivelmente. Era como se um suspiro coletivo tivesse sido solto, e a diversão pudesse realmente começar. As famílias se espalharam para explorar os muitos cantos do navio. O pai de Olivia queria encontrar o centro de fitness, enquanto a mãe queria ver as lojas a bordo. Olivia concordou em acompanhá-los, ainda esperando secretamente por um encontro casual. Vaguearam por corredores ladeados por perfumes duty-free e joias reluzentes, passando por galerias de arte exibindo pinturas náuticas e butiques cheias de roupas de resort.
Caminharam pela extensão do Convés do Passeio, o mesmo onde encontrara Theo na noite anterior. O sol aquecia o convés, o ar carregado do cheiro salgado do oceano aberto. Espreguiçadeiras já enchiam, gente se acomodando com livros e bebidas, absorvendo o sol. Crianças corriam atrás de pombos (ou o equivalente marítimo — gaivotas particularmente ousadas?), suas risadas ecoando pelo convés amplo. Olivia sentiu uma pontada de saudade, desejando que Theo estivesse ali, ao seu lado de novo, compartilhando a vista.
— Liv, olha estes lenços! — a mãe chamou da porta de uma loja. Olivia forçou um sorriso e juntou-se aos pais, tentando participar da conversa sobre padrões de seda e chaveiros de lembrança, enquanto sua mente continuava seu radar silencioso em cada rosto que passava. Era ele ali adiante? Não, alto demais. Era o irmão dele? Talvez, mas a mãe não parecia certa. Parecia um pouco ridículo, esse radar interno constante, mas ela não conseguia desligá-lo.
Passaram algum tempo na área da piscina principal no Convés Lido. Música tocava nos alto-falantes, criando uma vibe animada, de resort. As piscinas estavam cheias, crianças se esguichando, adultos descansando nos bares à beira da piscina. Garçons serpenteavam pela multidão, entregando bebidas coloridas. Era uma cena vibrante, enérgica, um microcosmo de férias de verão a flutuar. Olivia mergulhou os dedos dos pés na água fria de uma das piscinas, apreciando a sensação do movimento do navio se traduzindo em ondas sutis dentro da própria piscina.
Os pais decidiram pegar um lanche rápido no bufê casual ali perto, uma extensão oferecendo de tudo, de pizza a saladas. Olivia, sem muita fome mas ainda querendo ficar em um espaço público onde pudesse ver Theo, encontrou um lugar tranquilo numa espreguiçadeira um pouco afastada da multidão principal. Tirou seu diário azul-mar, o couro macio familiar sob os dedos. Não se sentia pronta para escrever sobre Theo ainda, nem para os próprios olhos. Em vez disso, esboçou a vista do convés — o mar azul infinito encontrando o céu azul infinito, a espuma branca rastejando atrás do navio.
Enquanto esboçava, ouviu trechos de conversa das espreguiçadeiras próximas. Famílias discutindo itinerários, casais debatendo planos para o jantar, amigos planejando excursões. Todos pareciam estar se instalando no ritmo da vida no navio, encontrando seus lugares e rotinas preferidos. Era fascinante observar, essa comunidade instantânea se formando entre centenas de estranhos. Todos estavam naquela jornada incrível juntos, uma experiência compartilhada se desenrolando dia a dia.
Uma sombra caiu sobre seu diário. Olivia ergueu o olhar, o coração dando um salto esperançoso. Era Anais, a garota de sua mesa no jantar da véspera. — Ei, Olivia! Se importar se eu me junto? — Anais perguntou, segurando um prato cheio de frutas e doces. — Meus avós estão cochilando, e eu precisava de ar fresco.
— Oi, Anais! Claro, senta aqui. — Olivia moveu o diário para abrir espaço na espreguiçadeira. Anais se acomodou, sua energia viva um contraste marcante com a observação quieta de Olivia. Conversaram facilmente sobre o navio, o número tonto de conveses, a sensação inesperada de estar tão desconectada da terra. Anais estava animada com as escalas, particularmente Istambul e Mumbai. Olivia se viu se abrindo um pouco, compartilhando seu nervosismo e empolgação com a longa jornada adiante.
Anais era fácil de conversar, cheia de anedotas engraçadas sobre viagens anteriores e sua paixão por cavalos. Não parecia notar os olhares distraídos de Olivia pelo convés. Anais planejava ir ao clube de adolescentes do navio mais tarde naquela noite e encorajou Olivia a ir junto. — Provavelmente é melhor do que ficar com os velhos a noite toda — disse com uma piscadela. Olivia prometeu pensar a respeito, apreciando o convite amigável. Seria bom conhecer outras pessoas da sua idade, mesmo que seu foco principal permanecesse em outro lugar.
Conforme a tarde avançava, o sol começou a descer mais baixo no céu, projetando longas sombras pelo convés. O ar ficou levemente mais fresco, e as pessoas começaram a se afastar das piscinas para se arrumar para a noite. Olivia e Anais se despediram, prometendo talvez se ver no jantar. Olivia sentiu um puxão familiar de volta à cabine, um desejo por um momento de reflexão quieta antes das atividades noturnas começarem. O dia fora cheio de novas vistas e sons, mas também fora um dia de antecipação, um zumbido constante, de baixo nível, de "e se?".
De volta à cabine, o quarto parecia menor e mais privado após a vastidão dos conveses abertos. Seus pais já se arrumavam para o jantar, discutindo o código de vestimenta do salão principal — "esporte fino" naquela noite. Olivia olhou pela vigia. O mar era um roxo profundo e machucado conforme o crepúsculo se aproximava. O navio fendia a água, deixando uma esteira espumosa branca para trás, uma linha nítida marcando seu movimento para longe de onde estivera.
Trocou para um vestido simples, sentindo um leve nó de nervos misturado à empolgação. Veria Theo naquela noite? No jantar? Vagueando pelos conveses mais tarde? As possibilidades pareciam infinitas, tanto emocionantes quanto assustadoras. Pensou no sorriso dele, no jeito que a olhara. Não era só educação; havia algo mais ali, uma faísca que acendera algo nela. Esperava que ele sentisse o mesmo.
O jantar foi de volta no salão principal, e desta vez as cadeiras ao lado dos Jensen permaneceram vazias durante toda a refeição. O casal mais velho e Anais estavam em outra mesa. Olivia apreciou a comida, o serviço elegante e a companhia dos pais, mas uma parte dela ainda vasculhava o salão, ouvindo conversas distantes, na esperança de ouvir uma risada familiar. Enquanto os pratos eram retirados e o café servido, soube que Theo não estava naquela seção naquela noite.
Depois do jantar, os pais decidiram assistir a um show no teatro. Olivia não tinha interesse particular no entretenimento da noite, uma revista da Broadway que vira em anúncios. Recusou educadamente, sugerindo que pudesse vaguear pelo navio ou ler na biblioteca. A mãe lhe deu um olhar investigativo, mas o pai assentiu. — Tudo bem, Liv. Só tenha cuidado e saiba o número da cabine. Nos encontramos aqui por volta das nove e meia?
— Okay, pai. Divirtam-se. Com uma sensação de liberdade e propósito, Olivia deixou o salão. O navio se transformava sob as luzes da noite. Lounges enchiam, música vinha de vários locais, e a energia era diferente do burburinho diurno — mais relaxada, mais sofisticada. Vagueou pelo átrio novamente, o espaço imenso agora iluminado com luzes coloridas, o som de um piano cascateando de um convés superior.
Pensou no convite de Anais para o clube de adolescentes. Talvez devesse ir. Era a coisa sensata a fazer, conhecer gente da sua idade e participar das atividades planejadas. Mas outra parte dela, a que sentira uma conexão súbita no Convés do Passeio, a instava a buscar aquela possibilidade específica. Onde Theo iria na primeira noite no mar, depois do jantar? De volta ao violão? Aos convesos?
Decidiu seguir sua intuição, o puxão quieto que a atraía para o ar aberto e a vastidão do mar noturno. Subiu as escadas para os conveses externos, emergindo na extensão fresca e escura sob as estrelas. O navio era um farol de luz contra a negritude, seu caminho iluminado apenas pela lua e pelas luzes traseiras de sua esteira. O ar era fresco e carregava o cheiro constante de sal e calor dos motores.
Havia algumas outras pessoas espalhadas pelas grades, casais de mãos dadas, indivíduos observando o horizonte. Olivia caminhou devagar, deixando o leve movimento do navio guiar seus passos. Passou pelas áreas das piscinas, mais quietas agora, as luzes refletindo na água parada. Caminhou em direção à popa, onde a esteira borbulhava como luar líquido. Era bonito, solitário, e um pouco melancólico.
Chegou à grade na parte traseira do navio, encostou-se nela e olhou para a linha de espuma que recuava, seus pensamentos uma mistura de esperanças e perguntas. Theo a notara mesmo naquele dia? O breve encontro deles significara algo para ele? Ou era só um cara amigável dizendo oi? A dúvida começou a se insinuar, uma maré fria ameaçando levar o calor da noite anterior.
De repente, ouviu — a dedilhada suave de um violão. Não era amplificado, apenas o som claro e puro de cordas acústicas flutuando no ar noturno. Vinha de algum lugar próximo, talvez apenas um convés acima. Seu coração disparou. Tinha que ser ele. Quem mais estaria tocando violão no convés naquela noite? Respirando fundo, Olivia virou-se para longe da grade e começou a caminhar na direção do som, seus passos acelerando com um senso renovado de propósito. O dia, tão cheio de espera e antecipação, finalmente a levava a algum lugar específico. A algum lugar onde esperava que ele estivesse.
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