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Introdução
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Capítulo 1: Origens e Lendas: A Fundação de Rome
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Capítulo 2: O Reino Romano (753-509 a.C.)
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Capítulo 3: A República Romana: Nascimento e Crescimento Inicial (509-264 a.C.)
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Capítulo 4: Roma e Carthage: As Guerras Púnicas (264-146 a.C.)
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Capítulo 5: A República Tardia: De Gracchi a Caesar (146-44 a.C.)
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Capítulo 6: A Era de Augustus: Nascimento do Império (44 a.C.-14 d.C.)
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Capítulo 7: As Dinastias Julio-Claudiana e Flaviana (14-96 d.C.)
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Capítulo 8: Os Cinco Bons Imperadores e a Pax Romana (96-180 d.C.)
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Capítulo 9: Crise e Declínio: O Terceiro Século d.C.
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Capítulo 10: Constantine the Great e a Cristianização (306-337 d.C.)
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Capítulo 11: A Queda do Império Ocidental e o Domínio Ostrogótico
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Capítulo 12: Roma Bizantina e o Papado Primitivo (Séculos VI-VIII)
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Capítulo 13: Roma Carolíngia e o Holy Roman Empire
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Capítulo 14: Roma Medieval: Comuna e Papado (Séculos XII-XIII)
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Capítulo 15: Papado de Avignon e os Inícios do Renascimento
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Capítulo 16: O Alto Renascimento: Julius II a Clement VII
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Capítulo 17: O Saco de Roma e a Contrarreforma
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Capítulo 18: Roma Barroca: Desenvolvimento Urbano e Glória Artística
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Capítulo 19: A Era do Iluminismo e a Roma Napoleônica
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Capítulo 20: O Risorgimento e a Captura de Roma (1815-1870)
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Capítulo 21: Roma como Capital da Itália Unida (1870-1922)
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Capítulo 22: Roma Fascista: A Visão de Mussolini da Cidade Eterna
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Capítulo 23: Roma Durante a World War II e a Libertação
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Capítulo 24: Roma do Pós-Guerra: Milagre Econômico e Renascimento Cultural
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Capítulo 25: Roma Contemporânea: Desafios e Transformações da Cidade Eterna
Uma história de Roma
Sumário
INTRODUÇÃO
Roma — a Cidade Eterna — cativou a imaginação humana por quase três milênios. Poucas cidades no mundo podem reivindicar um impacto tão duradouro e profundo na civilização ocidental. De humildes origens como um aglomerado de aldeias em sete colinas às margens do Tibre, Roma cresceu até se tornar o centro do mais vasto império que o mundo antigo já conheceu, deixando uma marca indelével no direito, na governança, na arquitetura, na engenharia, na língua e na religião que continua a moldar nosso mundo hoje.
Este livro narra a notável jornada de Roma desde sua fundação lendária por Rômulo em 753 a.C. até seu status atual como a vibrante capital da Itália moderna. É uma história marcada por triunfos e tragédias, por períodos de esplendor incomparável e declínio devastador, por notável resiliência e reinvenção cultural. Ao longo destas páginas, exploraremos não apenas a história política e militar de Roma, mas também seus desenvolvimentos social, cultural, religioso e artístico — todo o mosaico da experiência humana que se desenrolou neste lugar extraordinário.
A narrativa de Roma começa com o mito e a lenda. A história de Rômulo e Remo, amamentados por uma loba, fornece um mito fundacional dramático que os próprios romanos abraçaram. Contudo, a evidência arqueológica nos diz que as origens do assentamento no Tibre foram mais prosaicas — uma coleção de aldeias em uma localização favorável na travessia do rio, coalescendo gradualmente em uma comunidade unificada. Dessas origens simples surgiria uma das cidades mais consequentes da história.
O período inicial de Roma sob seus sete reis — alguns históricos, alguns lendários — estabeleceu os alicerces sobre os quais sua futura grandeza seria construída. As diversas influências das culturas vizinhas, particularmente os etruscos ao norte e os gregos ao sul, ajudaram a moldar a identidade inicial de Roma. A deposição do último rei, Tarquínio Soberbo, e o estabelecimento da República por volta de 509 a.C. marcaram o início de um experimento político que duraria quase cinco séculos.
A República Romana desenvolveu um sistema complexo de governança que equilibrava o poder entre vários magistrados, o Senado e as assembleias populares. Este sistema provou-se notavelmente adaptável à medida que Roma se expandia de uma cidade-Estado para a potência dominante no mundo mediterrâneo. A conquista da Itália, a derrota de Cartago nas Guerras Púnicas e a absorção dos reinos helenísticos do Mediterrâneo oriental transformaram Roma de uma potência regional em um império em tudo, menos no nome.
No entanto, esse próprio sucesso acabou por minar o sistema Republicano. As tensões de governar um vasto território, o influxo de riqueza e escravos, a transformação do exército e as ambições de generais poderosos como Mário, Sula, Pompeu e César eventualmente levaram a guerras civis que puseram fim à República. De suas cinzas emergiu o Principado sob Augusto, iniciando o período que conhecemos como Império Romano.
Os dois primeiros séculos do domínio imperial marcaram o apogeu do poder e da prosperidade de Roma. A própria cidade foi transformada com magníficos edifícios públicos, aquedutos, termas, teatros e templos. Como observou Plínio, o Velho, Roma tornara-se "uma residência digna da glória do império e da majestade do nome romano". O Coliseu, o Panteão, os fóruns dos imperadores e incontáveis outros monumentos — muitos dos quais sobrevivem até hoje — fizeram de Roma o centro urbano mais impressionante do mundo antigo.
A influência de Roma estendeu-se muito além da arquitetura e do urbanismo. O direito romano, com sua ênfase em princípios lógicos e equidade, formou a base de sistemas jurídicos por toda a Europa e além. O latim, a língua de Roma, evoluiu para as línguas românicas e influenciou profundamente muitas outras. As realizações de engenharia romana — estradas, pontes, aquedutos, banhos públicos — estabeleceram padrões que não seriam superados por mais de um milênio.
O terceiro século d.C. trouxe crise a Roma, à medida que a anarquia militar, problemas econômicos, invasões bárbaras e doenças pandêmicas tensionaram o tecido do império. As reformas de Diocleciano e Constantino estabilizaram a situação, mas alteraram fundamentalmente a natureza da governança romana. A adoção do cristianismo por Constantino e a subsequente cristianização do império marcaram talvez a transformação cultural mais significativa na história de Roma, lançando as bases para o mundo medieval.
A metade ocidental do império, incluindo a própria Roma, sucumbiu gradualmente às invasões germânicas no século V. Em 476, o último imperador ocidental foi deposto, evento que tradicionalmente marca a queda do Império Romano do Ocidente. Contudo, Roma persistiu, embora de forma dramaticamente alterada. A cidade tornou-se o centro do cristianismo ocidental sob os papas, cuja autoridade espiritual preencheu parte do vácuo deixado pelo colapso do poder imperial.
Ao longo da Idade Média, Roma permaneceu uma cidade de contrastes — os magníficos monumentos da antiguidade erguiam-se ao lado (e muitas vezes forneciam materiais de construção para) as igrejas e palácios da Roma cristã. A população da cidade declinou dramaticamente em relação ao seu auge imperial, mas sua importância simbólica permaneceu inalterada. Como sede do papado, Roma continuou a exercer enorme influência sobre os assuntos europeus, mesmo enquanto o controle político da própria cidade oscilava entre autoridades papais, imperiais, nobiliárquicas e comunais.
O Renascimento soprou nova vida em Roma, à medida que papas como Nicolau V, Sisto IV, Júlio II e Leão X patrocinaram artistas e arquitetos que buscavam inspiração em modelos clássicos. Michelangelo, Rafael, Bramante e incontáveis outros criaram obras-primas que reinterpretaram ideais antigos através de uma lente cristã. A síntese resultante produziu algumas das maiores realizações artísticas e arquitetônicas da humanidade — a Basílica de São Pedro, a Capela Sistina e o Palácio do Vaticano entre elas.
A Contrarreforma e os períodos Barroco viram Roma reafirmar seu papel como capital da cristandade católica. O horizonte da cidade foi transformado por cúpulas e campanários de igrejas, enquanto sua paisagem urbana foi enriquecida por magníficas fontes, praças e rotas processuais. Edifícios e espaços urbanos foram projetados para inspirar devoção religiosa e espanto, criando o caráter teatral que ainda define grande parte da Roma histórica hoje.
As fortunas políticas de Roma declinaram nos séculos XVII e XVIII, à medida que o papado perdia influência nos assuntos europeus. A Revolução Francesa e a conquista de Napoleão trouxeram breves períodos de republicanismo e domínio francês direto. Após a derrota de Napoleão, o Congresso de Viena restaurou a autoridade papal, mas as forças do nacionalismo italiano estavam ganhando força. O Risorgimento — o movimento da Itália pela unificação nacional — inicialmente contornou Roma, que permaneceu sob controle papal com apoio francês.
Somente em 1870, após a retirada das forças francesas durante a Guerra Franco-Prussiana, tropas italianas entraram em Roma, completando a unificação nacional. Roma tornou-se a capital do novo Reino da Itália, desencadeando um período de rápido desenvolvimento enquanto a cidade era transformada para servir seu novo papel. A "Questão Romana" — o status do Papa após a perda de seu poder temporal — permaneceu sem solução até os Acordos de Latrão de 1929 estabelecerem a Cidade do Vaticano como um Estado soberano dentro de Roma.
O período fascista sob Mussolini viu mudanças dramáticas no tecido urbano de Roma, à medida que o regime buscava conectar a Itália moderna às glórias da Roma imperial. Escavações arqueológicas expuseram monumentos antigos, enquanto novas avenidas e edifícios governamentais criaram um cenário monumental para a pompa fascista. A Segunda Guerra Mundial trouxe sofrimento aos romanos através de bombardeios e ocupação alemã, mas o centro histórico foi amplamente poupado da destruição.
Na era do pós-guerra, Roma experimentou rápido crescimento durante o "milagre econômico" da Itália nos anos 1950 e 1960. A cidade sediou os Jogos Olímpicos de Verão de 1960, tornou-se um centro da indústria cinematográfica internacional e lidou com os desafios da modernização enquanto preservava seu extraordinário patrimônio cultural. A Roma de hoje equilibra seus papéis como capital nacional, destino turístico global, centro religioso e lar de quase três milhões de residentes.
Ao longo deste livro, exploraremos como Roma continuamente se reinventou enquanto mantinha conexões com seu passado. Poucas cidades experimentaram reversões de fortuna tão dramáticas — de aldeia a império mundial, de capital imperial a cidade papal, de região despovoada a metrópole moderna. Ainda assim, através de todas essas transformações, os romanos mantiveram um poderoso senso de continuidade com sua história, adaptando espaços antigos para novos propósitos e buscando inspiração em conquistas anteriores.
A história de Roma é, em muitos aspectos, a história da própria civilização ocidental. As ideias, instituições e formas culturais desenvolvidas em Roma espalharam-se pelo mundo, adotadas e adaptadas por sociedades distantes no tempo e no espaço de suas origens. Compreender Roma é compreender uma parte fundamental de nosso patrimônio coletivo — os alicerces sobre os quais grande parte de nosso mundo moderno foi construída.
Esta história de Roma não é meramente uma crônica de edifícios, batalhas e governantes, embora estes certamente figurem proeminentemente. É também uma exploração de como as pessoas viveram, trabalharam, adoraram e criaram em um dos centros urbanos mais significativos da humanidade. Examinaremos como romanos comuns — cidadãos e escravos, patrícios e plebeus, nativos e imigrantes — experimentaram sua cidade e contribuíram para seu desenvolvimento.
A história de Roma é também uma história de ideias e crenças. Dos princípios práticos de governança da República às aspirações universais do Império, do politeísmo pagão ao monoteísmo cristão, do humanismo renascentista ao nacionalismo moderno, Roma foi um cadinho para alguns dos conceitos mais influentes da humanidade. Essas ideias moldaram não apenas o desenvolvimento da cidade, mas o curso mais amplo da civilização ocidental.
A própria paisagem física de Roma conta esta história complexa. A sobreposição de estruturas de diferentes eras — templos antigos sob igrejas medievais, palácios renascentistas incorporando ruínas romanas, fachadas barrocas em edifícios mais antigos — reflete a contínua adaptação e reinterpretação que caracteriza a história de Roma. Caminhar por Roma hoje significa atravessar não apenas o espaço, mas o tempo, encontrando os vestígios físicos de quase três milênios de vida urbana.
O apelo duradouro de Roma reside parcialmente nesta conexão visível com o passado. Ao contrário de muitas cidades antigas que jazem enterradas sob assentamentos modernos ou abandonadas em locais remotos, as antiguidades de Roma permanecem partes integrais de um ambiente urbano vivo. O Panteão, com quase dois mil anos, ainda ergue-se com sua cúpula original intacta. O Coliseu, embora danificado, domina seu entorno. Aquedutos construídos por imperadores ainda embelezam o campo.
Contudo, Roma é muito mais do que um museu a céu aberto. É uma capital moderna com todos os desafios e oportunidades que isso implica — redes de transporte, necessidades habitacionais, desenvolvimento econômico, preocupações ambientais. A tensão entre preservação e progresso, entre honrar o passado e atender às necessidades presentes, é um tema constante na Roma contemporânea, como o foi ao longo de grande parte da história da cidade.
Ao escrever esta história, baseei-me em diversas fontes: historiadores antigos como Tito Lívio, Tácito e Suetônio; crônicas medievais; relatos renascentistas; descobertas arqueológicas modernas; e pesquisa acadêmica de múltiplas disciplinas. Cada período apresenta diferentes desafios de interpretação, pois a evidência disponível e as perspectivas daqueles que a registraram variam consideravelmente ao longo da longa história de Roma.
Os vestígios materiais de Roma — seus monumentos, inscrições, moedas, obras de arte e objetos cotidianos — fornecem evidência essencial, particularmente para períodos onde as fontes escritas são escassas. Descobertas arqueológicas continuam a refinar nossa compreensão do desenvolvimento da cidade, às vezes confirmando relatos textuais, mas muitas vezes revelando aspectos da vida romana que não foram registrados em documentos sobreviventes.
Para séculos mais recentes, a abundância de registros escritos apresenta diferentes desafios de seleção e interpretação. As perspectivas de visitantes estrangeiros — de peregrinos medievais a humanistas renascentistas a viajantes do Grand Tour — oferecem valiosos insights sobre como Roma aparecia a outsiders. As vozes dos próprios romanos, quando podem ser recuperadas, fornecem contraponto essencial a estas visões externas.
Ao longo desta narrativa, busquei equilibrar desenvolvimentos políticos, sociais, culturais e religiosos, reconhecendo que a significância de Roma deriva de todas estas dimensões. Embora reis, cônsules, imperadores e papas figurem necessariamente proeminentemente em qualquer relato da história de Roma, atenção também é dada aos contextos sociais mais amplos nos quais operaram e às pessoas comuns cujo trabalho construiu e manteve a cidade.
Este livro está organizado cronologicamente, traçando o desenvolvimento de Roma desde suas origens até os dias atuais. Cada capítulo foca em um período significativo na evolução da cidade, destacando desenvolvimentos e transformações chave. Mantendo esta estrutura temporal, também busquei identificar continuidades e padrões que abrangem múltiplas eras, revelando as dinâmicas subjacentes que moldaram a longa história de Roma.
Nenhum único volume pode fazer justiça plena à complexa e fascinante história de Roma. Esta obra visa fornecer uma visão geral abrangente que servirá tanto como introdução para aqueles novos à história de Roma quanto como estrutura para exploração adicional por aqueles já familiarizados com aspectos do passado da cidade. As leituras sugeridas ao final de cada capítulo oferecem caminhos para investigação mais profunda de períodos e temas particulares.
A notável jornada de Roma — de humildes origens a significado global — oferece lições e inspirações para nosso próprio tempo. A resiliência da cidade diante de desastres, sua adaptação criativa de conquistas passadas para novos propósitos, sua integração de diversas influências culturais e sua contínua reinvenção enquanto mantém conexões com seu patrimônio fornecem modelos para enfrentar desafios contemporâneos.
Ao seguirmos o caminho de Roma através do tempo, veremos como esta extraordinária cidade moldou e foi moldada pelas correntes mais amplas da história ocidental. De suas colinas junto ao Tibre, a influência de Roma fluiu pelo mundo, deixando poucos aspectos da vida moderna intocados. Vamos agora começar nossa exploração da Cidade Eterna — eterna não porque permaneceu inalterada, mas porque se renovou continuamente enquanto preservou a memória do que veio antes.
CAPÍTULO UM: Origens e Lendas: A Fundação de Roma
Toda grande cidade tem uma história sobre seu início, mas poucas são tão dramáticas, duradouras e fundamentais para sua identidade quanto a de Roma. Aninhada entre colinas junto ao curso sinuoso do rio Tibre, a localização em si parecia destinada à importância. Aqui, na região conhecida como Lácio, no centro da Itália, o rio estreita e curva, criando uma ilha crucial, a Ilha Tiberina, que oferecia o único vau natural por muitas milhas. Este ponto de travessia estratégico colocou o futuro local de Roma num entroncamento vital, conectando a rota costeira com os territórios interiores e facilitando o comércio e o movimento ao longo do próprio vale do rio.
A paisagem era caracterizada por um aglomerado de colinas facilmente defensáveis — as famosas Sete Colinas: Palatino, Capitolino, Quirinal, Viminal, Esquilino, Celio e Aventino. Elas ofereciam proteção natural e pontos de observação sobre o rio e a planície circundante. Embora a tradição romana posterior atribuísse papéis e momentos de fundação específicos a cada colina, a geografia em si fornecia os ingredientes essenciais para o assentamento: água, terreno defensável e uma localização estratégica para comércio e comunicação dentro do Lácio e além, a aproximadamente 24 quilômetros (15 milhas) do mar Tirreno.
Enquanto os grandes mitos falam de um momento preciso de fundação no século VIII a.C., os sussurros da presença humana na área são muito mais antigos. Evidências arqueológicas, embora muitas vezes enterradas profundamente sob milênios de construção subsequente, apontam para ocupação humana datando de talvez 14.000 anos. Ferramentas de pedra e fragmentos de cerâmica atestam atividade paleolítica e neolítica, sugerindo que caçadores-coletores e agricultores primitivos reconheciam as vantagens desta localização ribeirinha muito antes de qualquer cidade ser concebida.
A história torna-se mais clara à medida que entramos na Idade do Bronze e na transição para a Idade do Ferro, aproximadamente por volta do século X a.C. Escavações arqueológicas, particularmente no Monte Palatino, revelam o surgimento de assentamentos pastorais dispersos. Estes primeiros habitantes, provavelmente falantes de uma forma antiga de latim, viviam em cabanas simples, criavam gado e praticavam agricultura básica. Vilas semelhantes pontuavam os topos das outras colinas defensáveis, como o Quirinal, talvez assentado pelos sabinos, outro povo itálico cujos territórios ficavam mais a norte e a leste.
Durante séculos, estas vilas no topo das colinas provavelmente existiram como comunidades distintas. No entanto, as vantagens da cooperação e a importância estratégica do vau do Tibre gradualmente encorajaram uma interação mais estreita. A visão moderna prevalente, apoiada por achados arqueológicos, sugere um processo conhecido como "sinecismo" — uma agregação gradual ou fusão destas vilas separadas numa entidade maior e mais unificada. Isto não foi um evento súbito, mas provavelmente uma evolução lenta impulsionada por interesses compartilhados, necessidades de defesa e produtividade agrícola crescente que permitiu especialização e comércio.
Principais descobertas arqueológicas iluminam este período formativo. Escavações próximas ao Monte Capitolino, na área do posterior Fórum Boário (mercado de gado) e da Igreja de Sant'Omobono, desenterraram restos de templos datando dos séculos VII e possivelmente final do VIII a.C., representando algumas das primeiras estruturas monumentais em Roma. Trabalhos adicionais no Palatino, particularmente próximo ao local que a tradição identifica como o local da fundação de Rômulo, revelaram evidências de muralhas defensivas e cerâmica datando dos séculos IX e início do VIII a.C., muito antes da data tradicional de 753 a.C. Estas descobertas confirmam atividade de assentamento significativa e organizada durante este período crucial.
O solo vulcânico fértil do Lácio sustentava a agricultura, enquanto o rio facilitava o comércio, particularmente com as colônias gregas estabelecidas mais ao sul na Magna Grécia (como Cumas e Ísquia) e com a sofisticada civilização etrusca florescendo a norte na Etrúria (a atual Toscana). Esta interação trouxe novos bens, tecnologias e ideias, estimulando o desenvolvimento da comunidade romana nascente. Esta coalescência e desenvolvimento graduais, provavelmente ocorrendo por volta de meados do século VIII a.C., podem ser considerados o "nascimento" histórico de Roma como uma entidade urbana reconhecível, distinta das vilas dispersas que a precederam.
No entanto, para os próprios romanos, este desenvolvimento gradual e orgânico carecia da grandiosidade condizente com seu destino. À medida que Roma crescia em poder e influência, seu povo buscou uma história de origem mais auspiciosa e divinamente ordenada. Eles criaram e abraçaram uma rica tapeçaria de lendas, tecendo juntos tradições locais, mitologia grega e contos de fundadores heróicos para explicar os primórdios de sua cidade e afirmar seu lugar único no mundo. Estes mitos, embora não sejam história literal, são inestimáveis para entender como os romanos se viam a si mesmos e a seu passado.
Central a esta narrativa lendária está a figura de Eneias, o herói troiano celebrado na Ilíada de Homero. Como elaborado pelo poeta romano Virgílio em seu poema épico, a Eneida, Eneias, filho da deusa Vênus, escapou das ruínas ardentes de Troia carregando seu pai idoso Anquises e guiando seu jovem filho Ascânio (também chamado Iulo). Guiados por profecias e intervenções divinas, Eneias e seus seguidores viajaram pelo Mediterrâneo, eventualmente aterrissando nas praias do Lácio após numerosas provações, incluindo um romance fatídico com a rainha Dido de Cartago.
Na Itália, Eneias forjou alianças, guerreou contra tribos locais lideradas por Turno, e acabou estabelecendo a cidade de Lavínio. Seu filho Ascânio fundou mais tarde Alba Longa, uma cidade aninhada nos Montes Albanos a sudeste de Roma, que se tornou a sede de uma dinastia de reis latinos. Esta linhagem, remontando a Troia e envolvendo ancestralidade divina através de Vênus, proporcionou aos romanos uma conexão prestigiosa com o mundo mais antigo e reverenciado da mitologia grega e os posicionou como herdeiros de uma tradição heroica antiga.
Várias gerações depois, segundo a lenda, o rei Numitor governava Alba Longa. Seu ambicioso irmão mais novo, Amúlio, usurpou o trono, matou os filhos de Numitor e forçou a filha deste, Reia Silvia, a tornar-se uma Virgem Vestales, jurada à castidade, para impedir que ela gerasse herdeiros que pudessem desafiar seu governo. Contudo, o deus da guerra Marte enamorou-se de Reia Silvia e a visitou, resultando no nascimento de dois meninos gêmeos.
Temendo a futura ameaça representada pelos netos de Numitor, o implacável Amúlio ordenou que os recém-nascidos fossem afogados no rio Tibre. O servo encarregado desta tarefa sombria, porém, compadeceu-se dos gêmeos. Ele os colocou numa cesta e a pôs a flutuar no rio, que aconteceu de estar em cheia. Em vez de serem levados e afogados, a cesta derivou suavemente até a margem próxima ao Monte Palatino, parando sob uma figueira (o Ficus Ruminalis).
Aqui ocorreu o momento mais icônico do mito de fundação romano: os gêmeos abandonados foram descobertos e amamentados por uma loba (lupa). Esta imagem da loba nutrindo os fundadores tornou-se um poderoso símbolo da resiliência, força e conexão de Roma com as forças naturais e selvagens da terra. Logo depois, os gêmeos foram encontrados por um pastor chamado Fausto e sua mulher, Aca Larência, que os criaram como filhos próprios, dando-lhes os nomes de Rômulo e Remo.
Os meninos cresceram como pastores, demonstrando liderança e coragem naturais. Como jovens, envolveram-se numa disputa com os pastores do rei Amúlio, durante a qual Remo foi capturado e levado perante o rei. Rômulo, reunindo apoio, atacou Alba Longa. Nos eventos que se seguiram, as verdadeiras identidades dos gêmeos foram reveladas, Amúlio foi derrubado e morto, e seu avô Numitor foi restaurado ao trono.
Tendo recuperado sua herança, Rômulo e Remo decidiram não esperar para herdar Alba Longa, mas fundar sua própria cidade perto do local onde haviam sido salvos pela loba. Esta decisão, porém, levou ao clímax trágico de sua história. Surgiu desacordo sobre a localização precisa e, mais importante, sobre quem deveria ser o fundador e rei, dando seu nome à nova cidade.
Para resolver a disputa, concordaram em confiar na auspiciação, buscando aprovação divina observando o voo das aves. Remo, em pé no Monte Aventino, viu seis abutres primeiro. Rômulo, no Monte Palatino, viu subsequentemente doze abutres. Cada um reivindicou a vitória — Remo baseando-se na prioridade, Rômulo no número maior. A discussão escalou, alimentada pela ambição e talvez por sinais divinos incertos.
Na versão mais comum do conto, Rômulo procedeu a demarcar as fronteiras de sua cidade proposta no Monte Palatino arando um sulco, o sagrado pomerium. Remo, em desprezo ou zombaria, saltou sobre o muro e o sulco nascentes, um ato sacrílego violando a santidade da fronteira. Enfurecido por esta transgressão e talvez vendo-a como um mau presságio, Rômulo feriu mortalmente seu irmão, declarando: "Assim pereça qualquer outro que ousar saltar meus muros!" A morte de Remo manchou assim a fundação da cidade com fratricídio, um tom sombrio que ecoaria através da história romana.
Com seu rival ido, Rômulo tornou-se o único fundador e primeiro rei. A cidade, estabelecida no Monte Palatino, tomou seu nome: Roma. Segundo a meticulosa cronologia calculada pelo estudioso romano Marco Terêncio Varrão no século I a.C., este evento fundamental ocorreu em 21 de abril de 753 a.C. Esta data, celebrada anualmente depois disso como a Parília (posteriormente Dies Romana ou Natale di Roma), tornou-se o ponto de ancoragem para o sistema de calendário romano, Ab Urbe Condita ("Desde a fundação da Cidade").
Embora a história de Rômulo e Remo tenha se tornado o mito de fundação canônico, não era o único conhecido na antiguidade. O historiador grego Estrabão, escrevendo por volta da época de Augusto, mencionou tradições mais antigas, incluindo uma que atribuía a fundação a gregos arcádios liderados por Evandro, que supostamente assentaram o Monte Palatino gerações antes da Guerra de Troia e introduziram o alfabeto e os deuses gregos. Estrabão também notou que alguns acreditavam que Roma foi fundada diretamente por gregos. Estas histórias alternativas destacam as complexas interações culturais da Itália primitiva e o desejo de vincular Roma à prestigiosa civilização da Grécia.
O próprio nome da cidade, Roma, convidou a especulações por séculos. A explicação tradicional, derivando-o do fundador Rômulo, é plausível, embora seja igualmente possível que o nome Rômulo tenha derivado de um nome de lugar preexistente. Linguistas propuseram etimologias alternativas, nenhuma definitiva. Alguns sugerem uma ligação com Rumon, um nome arcaico para o rio Tibre. Outros olham para a palavra grega Rhōmē (Ῥώμη), significando força ou coragem. Origens etruscas também são possíveis, dada sua influência na região, mas a língua etrusca permanece mal compreendida. Uma teoria sugere derivação de uma raiz itálica relacionada a "colina" ou talvez urobsma ("lugar fortificado," relacionado a urbs, cidade). A verdadeira origem permanece incerta, perdida nas brumas da pré-história linguística.
Segundo a lenda, tendo fundado sua cidade, Rômulo enfrentou o desafio de povoá-la. Para atrair habitantes, declarou a área entre os dois picos do Monte Capitolino como asilo, acolhendo fugitivos, escravos fugitivos, devedores e exilados de outras comunidades, independentemente de seu passado. Esta medida, embora talvez exagerada, reflete uma tradição do crescimento inicial de Roma através da incorporação de forasteiros, uma característica que contribuiria significativamente para seu sucesso posterior.
Esta influxo de homens, porém, criou um desequilíbrio demográfico — uma grave escassez de mulheres. Para remediar isto, Rômulo organizou um grande festival, a Consualia, em honra do deus Conso, convidando povos vizinhos, particularmente os sabinos que viviam nos próximos montes Quirinal e Viminal. Durante as festividades, num sinal combinado, os homens romanos apoderaram-se das mulheres sabinas solteiras e as levaram para serem suas esposas.
Este evento, notoriamente conhecido como o Rapto (do latim raptus, significando abdução ou captura) das Mulheres Sabinas, inevitavelmente levou à guerra. Os homens sabinos enfurecidos, liderados por seu rei Tito Tácio, atacaram Roma. A luta alastrou, eventualmente alcançando a área do Fórum entre os montes Palatino e Capitolino. Segundo a lenda, a batalha foi dramaticamente interrompida pela intervenção das próprias mulheres sabinas raptadas. Carregando seus filhos nascidos de pais romanos, elas correram entre as linhas, suplicando a seus parentes sabinos e maridos romanos que cessassem o derramamento de sangue, argumentando que prefeririam morrer a ficarem viúvas ou órfãs.
Seu apelo corajoso teve sucesso. A paz foi feita, e Rômulo e Tito Tácio concordaram em governar conjuntamente. Romanos e sabinos fundiram-se num só povo, com os sabinos assentando nos montes Capitolino e Quirinal. Esta parte do mito serviu para explicar a presença e integração de elementos sabinos dentro da população e instituições romanas primitivas, refletindo a realidade histórica da fusão cultural no Lácio arcaico.
Rômulo, agora compartilhando o poder, continuou a estabelecer as instituições fundacionais da cidade. É-lhe creditada a criação do primeiro Senado Romano, selecionando 100 homens principais (principalmente das famílias romanas originais) para servir como seu conselho consultivo. Estes homens foram chamados Patres ("Pais"), e seus descendentes formaram o núcleo da aristocracia patrícia.
Ele também teria organizado a populace. A lenda atribui-lhe a criação de três tribos — os Ramnes (representando os romanos originais), os Tities (nomeados após Tito Tácio, representando os sabinos), e os Luceres (cuja origem é obscura, possivelmente representando elementos etruscos ou outros grupos locais). Além disso, a população foi dividida em trinta círias, supostamente nomeadas após trinta das heroicas mulheres sabinas. Estas círias serviram como unidades básicas para organização religiosa, social e política, formando a base da mais antiga assembleia de votação romana, a Comitia Curiata.
Separar o fato histórico do enfeite mítico neste período primitivo permanece um desafio significativo. As histórias detalhadas de Eneias, Rômulo e Remo são claramente lendárias, moldadas ao longo de séculos para servir a propósitos políticos e culturais. Contudo, não estão inteiramente divorciadas da realidade. A evidência arqueológica confirma que meados do século VIII a.C. foi de fato um período crucial de transformação e consolidação para os assentamentos nas colinas do Tibre. A localização descrita nos mitos corresponde à área do assentamento mais antigo. As lendas refletem a mistura histórica das populações latina e sabina, e reconhecem a influência de vizinhos etruscos e gregos.
Embora Rômulo provavelmente nunca tenha existido como descrito, as lendas encapsulam os valores que os romanos associavam às suas origens: destino divino, proeza militar, disciplina, disposição para incorporar forasteiros, respeito pelo ritual religioso, e o estabelecimento de estruturas políticas e sociais duradouras. Os contos dramáticos, muitas vezes violentos, de fratricídio e abdução talvez também reflitam as duras realidades da sobrevivência e formação de Estado no mundo competitivo da Idade do Ferro na Itália. Estas histórias fundacionais, acreditadas e recontadas por séculos, moldaram profundamente a identidade romana e proporcionaram um poderoso senso de herança compartilhada enquanto a pequena cidade-Estado embarcava em sua extraordinária jornada rumo à conquista do mundo mediterrâneo. O palco estava preparado para a era dos reis, o próximo capítulo na história em desenvolvimento de Roma.
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